mardi 18 juin 2019

Gigante quebrado

Estou aqui
Buscando acordar meu gigante
Meu nobre coração adormecido
Parece soterrado nas terras do desamor...

Me perguntam, as ninfas: por que só escreves sobre desamor?
Se soubesse, diria...
mas sinto um quebradinho por dentro e é dele que derrama a poesia
Quando ele se refaz um pouco,
Da duas, uma:
Ou vira encantamento
e as palavras dai brotam também.
Ou quer só estar no mundo sentindo o vento
Neste estado, não há quem lhe faça virar verso
Quer só aproveitar os instantes
De efêmera inteireza.
Sai feito bicicleta desgovernada em pista vazia
Sabendo que o embalo logo se esvazia
E ele volta a se rachar

e...

De novo, restam só os caquinhos a suspirar
A casa desse quebradinho é um parque imaginário
Cujo nome é Melancolia
D’onde brota uma fonte permanente d’água nos olhos
Nas águas dessa fonte, os versos brotam desmedidos

Como se quisessem colar os pedaços
Fazer uma graça pra pintar o mundo
Esquecer que por dentro tá tudo quebrado
de novo




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