dimanche 1 décembre 2013

carta/casa de amor em decomposição.

A porta entreaberta
Os chinelos brancos de correias azuis
A marca dos passos molhados ao sair do banho
A camisa branca jogada  sobre a cadeira
A vitrola cantando samba
A cafeteira, ainda com café, sobre o fogão
Os pratos sujos na pia
Na mesa branca papéis, plásticos, pedras, nomes, endereços, pontas de cigarros, cartas antigas, bilhetes passados, uma lembrança do Peru, óculos de mergulho, o cinzeiro azul.

Lá em cima, as plantas sedentas, bebendo rápido a água, o sol desbotando a madeira, os cupins deixando oca a casa, o mar imenso, os navios graves avisando a chegada... ou a partida...
A embalagem vazia perto da cama
A garrafa meio cheia de água.
O vento cinza sobre a renda branca, voando, voando... o vento branco sobre a renda suja, voando, voando... o vento levando a renda, a poeira, os cupins... O grave lá no mar, o coração se afogando...
O baú  inacabado feito com as mãos... mãos inacabadas em baús
 As roupas misturadas penduradas ... empoeiradas...
A cama vazia... o quarto vazio... os olhos vazios...
Tantos outros detalhes vão lentamente desaparecendo, carregados pelo sol  e pelo vento, até se afogarem silenciosamente no mar...




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