mercredi 30 octobre 2013

CASA

Na distância, 
minha casa era o cheiro do mar
A gota salgada que escorria 
umidificando o corpo seco.

De longe, 
minha casa era 
a cor do sotaque relaxado
desbocado, enxerido,
carinhosamente manso.

O doce do quente 
da água
do sol
da saudade
dos afetos
dos meus
dos outros em mim.

Nesse instante,
minha casa é poeira,
restos, lembranças turvas, 
algumas memórias 
e o corpo já úmido 
busca incessante
essa casa perdida,
desacreditada,
nunca vivida,
ou reconhecida...

Minha casa sou eu
tentando achar um lugar
para descansar de mim.

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