samedi 29 juin 2013

Vale.

Aquele é o mesmo
vale que minha memória
me foge.
O mesmo rio gelado
abraçou minha história
meu corpo
minhas lembranças.

O tempo essa vela acesa
sempre,
sempre.
Aquela água escura arrepiando
minha espinha curta,
esguia
fina.

Lembro da mão sobre as minhas,
a foto que guardou a memória
os olhos
o cansaço
a certeza.
Suas mãos,
aquelas
as mesmas.

Hoje as águas eram geladas
eram as mesmas águas
antigas e novas ainda.
As mãos?
Onde?
As minhas, aqui.
Eu inteira
perdida.
Não,
achada e só.
Nesse rio vermelho e gelado.

Minha espinha acorda mais esguia.
Ele cai na água depois,
se põe à distância, depois.
é inteiro ausência, depois.

Ainda que só,
rodeada e só
coberta de mim
Esse vale tem
essa força que é da água
gelada
arrepiando espinha
construindo novos caminhos
sobre mim,
sobre si mesmo.

Ainda vale
procurar essas mãos
na sua ausência-presença
ainda que as águas turvas
tudo escondam.

Vale.

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