mercredi 5 juin 2013

Augusto Omolú.

Mais de 50 pessoas dançavam você hoje e todo aquele prédio histórico  vibrava em sua honra.
Eu que não te conheci,
te senti tão vivo,
tão forte naqueles corações,
que quase te conheci.

A frase de teu filho ecoava
em minhas lembranças.
Foi numa manhã qualquer,
" você não conhece ele?
Você não conhece ele?"

E a partir daquele dia eu te conheci.
Te conheci,
mas não tive tempo.
Não houve tempo
de ver teu olhar de perto,
reconhecer teus passos,
tua linguagem,
os movimentos de teu corpo,
tua sabedoria.

Omolú é o orixá da cura
e eu cá me perguntava
que tipo de cura é possível para isto.
O que pode curar essa dor.

Um espaço vazio
 imenso
que se abre
no meio do mundo
quando alguém se vai.

Mas pior,
quando era arte
e difundia ela pelo mundo
e espalhava
tantos pupilos
e tanto saber,
tanto amor, tanto.

Omolú cobre de palhas
um corpo de chagas.
E só penso em seu corpo
coberto de chagas
no domingo.

Mas não quero pensar,
porque seu corpo era
muito maior
do que o que se foi.

E Omolú é o orixá da cura.
Foi a cura
que eu vi dançar
aqueles corpos suados esta noite,
a cura naquelas palavras de amor.

A vida
e a cura na percussão
que te acompanhavam esta noite.
Ainda que o corpo e
stivesse inanimado
e cheio de chagas 
em algum lugar perdido...
todo o resto está vivo,
nos corpos que você ensinou
a dançar
e que eu vi tão forte
vibrar o chão
daquele prédio antigo
esta noite..

Atotô.

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