Ainda ontem estive em versos,
Todo meu nome virou letra maiúscula de poesia.
Ontem estive também em sonhos,
E se eram azuis as cores do cabelo,
Eram mais vivos do que o que há hoje em vida.
Ainda ontem, fiz versos esperando dois sóis chegar.
Hoje venceu ontem com a brutalidade de um animal
faminto
sobre sua presa.
Toda a memória de ontem ficou ali,
Comida, suja de sangue, desaparecida.
Presa, ainda que não fosse a presa,
na boca do lobo.
Doce era ser poesia,
ter cabelos azuis,
acreditar no amor.
Doce era sempre o ontem.
mardi 2 avril 2013
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