mercredi 24 septembre 2008

Faz-se então Reflexividade

Solto o verbo em língua e faço sentido sendo.
Assim, enquanto costuro com palavras você e eu, faço nós e eles, de lá, fazem sós, e em momentos a vida vai se colocando em cadência.

No descompromisso desavisado de um dia passando o outro, tecendo redes e ligando pontos; desde minha primeira sílaba até o calar no silêncio, o mundo particular compartilhado vai crescendo.

O silêncio vai então dizer ao outro o que há de novo ou se mantém antigo nesse olhar mudo. Porque se falo não preciso só de palavras, essas são frutas passadas do ponto em lugares em que pele, olho e calor fazem mais sentido.

Ainda assim, sendo assim, nesse espaço perdido entre os verbos, nos encontramos. Nos olhares que se compreendem, nos corpos que se escutam à distância, em todo não dito, entredito.

Vou-me só tão acompanhada costurando sentido no vão, do nó ao inteiro, desde verbo até silêncio, a vida acontecendo no entre de nós.

(E quando se dá o encontro do sim com o não, o acordo tácito se faz sem convencimento, persuasão. Baixa um olhar, sobe outro. Depois o inverso, a troca e o corpo que segue. A cadência rápida, lenta... sem explícito, só o sutil.)

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