A príncipio a idéia de se encontrar horas sozinha num ambiente semi-conhecido, lotado de pessoas, roupas e olhares, foi como um primeiro passo para a desistência... Mas promessas são promessas, pelo menos para uma garota boba que acredita e espera dos outros as mesmas reações que tem, sem notar, apesar de umas boas quedas, que existem chãos mais escorregadios que outros e sapatos menos aderentes...
Então, para não perder a coragem de transformar solidão em autosuficiência, escolhe-se a roupa mais bonita, a mais alva, a mais tentadora, a que deixe transparecer, apesar de qualquer boato, a vocação para olhar nos olhos e enlouquecer... tanto o alheio quanto o interior. Põe-se a maquiagem mais forte, que ilumine os traços do desarme, levante os cílios, corrija o imperfeito e conceda soluços vísiveis às mentes aguçadas.
Após longos minutos de primeiras impressões, o que resta é a presença inacabada do que ainda será percorrido pelos ponteiros...
Infelizmente, aturar amados e desamados após mais de seis miligramas de álcool por litro de sangue torna-se um fardo tanto quanto não suportável para uma velocidade de 100km/h em 360º meio perturbados... Por livre escolha (leia-se: falta de opção) entrega-se à sedução da perda de consciência na tentativa de criar um mundo mais agitado por algumas horas, danças menos culpadas talvez...
Aquelas frutas esmagadas no copo fundo, o mau-humor de quem servia, a quantidade de açúcar, a percepção dos pequenos grãos mal misturados ao componente principal, a não familiaridade dos rostos, todos os gostos, os sabores, as provocações, os pensamentos proibidos, só pensamentos, as idéias, o movimento, a crueldade, a impaciêcia, as confissões...
Uma noite metade frustrada, metade conseguida...
Sem sentimentos.
jeudi 25 mars 2004
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