Uma flor se abre
dura o instante de uma vida
ou nada
depois dessa flor virão várias
Virão?
No cruzamento esquerdo
um rombo
A solidão assombra os olhos
uma fumaça espessa
turva as vistas
No escuro da estrada
eu ia virando pó
A luz do caminhão vinha
A vida espatifaria e deixaríamos de existir
E nem sei se eu estava mesmo ali
Sobrevivemos
No silêncio da minha distância,
Mergulhei no rio e o sangue desceu
Minha natureza perturbada
Eu era uma daquelas pedras
e sangrava
O filho que não tive
Não sei se terei
Um dia amei profundamente
Mais de uma vez
Te deixar ir sem certeza
sem certeza ficar
ficar
ficar
permanecer, eu disse
até a pele perder o brilho
até emudecer
até vir uma luz forte e virar pó
Ver flores nascerem e morrerem
E se eu morrer junto?
Bem no meio do furo
Ainda te vejo
Não me sinto tão só
Fantasia é o nome que se dá ao que não tem coragem de existir
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