jeudi 30 juin 2022

Ofuscante

 Uma flor se abre 

dura o instante de uma vida 

ou nada 

depois dessa flor virão várias

Virão?


No cruzamento esquerdo

um rombo 

A solidão assombra os olhos

uma fumaça espessa

turva as vistas 


No escuro da estrada

eu ia virando pó

A luz do caminhão vinha 

A vida espatifaria e deixaríamos de existir

E nem sei se eu estava mesmo ali


Sobrevivemos


No silêncio da minha distância,

Mergulhei no rio e o sangue desceu

Minha natureza perturbada 

Eu era uma daquelas pedras 

e sangrava

O filho que não tive


Não sei se terei

Um dia amei profundamente

Mais de uma vez

Te deixar ir sem certeza

sem certeza ficar

ficar

ficar

permanecer, eu disse

até a pele perder o brilho

até emudecer

até vir uma luz forte e virar pó

Ver  flores nascerem e morrerem

E se eu morrer junto?

Bem no meio do furo

Ainda te vejo 

Não me sinto tão só

Fantasia é o nome que se dá ao que não tem coragem de existir





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