Registros oníricos e adendos
Estamos em março, afetos prescindem de explicação, sentimos e só. Insisto.
Esta noite, em minhas mãos, enlaçando meu dedo anelar esquerdo havia um anel
Dourado, envelhecido, um quadrado prateado na parte frontal,
Em sua lateral, que toca o dedo médio, a inscrição “Dalva”.
Uma aliança antiga me liga a este nome,
uma estrela que reluz alto no céu.
Dalva é Venus, descubro. Sabia antes de saber.
A estrela mulher,
coberta por pequenos e grandes vulcões que escorrem
Num longo e caudaloso rio
Sinuoso, Brilhante e inexplicável,
Não há água líquida em Dalva.
Há água de vulcões em seios caudalosos brilhantes
A presença de meu amor presente se mostra na imagem onírica,
Ele traz um outro círculo dourado
Envelhecido,
Reconheco em sonho
O registro de um amor passado que se liga por essas duas alianças
O amor tem dúvidas se sela nosso amor com esta aliança
Que se aconchega bem
A minha Dalva
Tem a mesma cor, formato
O mesmo quadrado prateado em sua parte frontal
Olho desconfiada o anel solar
De quem terá sido este amor
Que veio antes de mim
Em sua lateral, vejo
Uma letra, não um nome:
M
Eme
Aime
Marte?
Qual a origem desse encontro?
Quem portou as alianças que vieram antes de nós?
Dalva enlaça meu dedo
Me pergunto por quê.
Adendo:
“A superfície de Vênus é marcada por numerosas crateras de impacto, aleatoriamente distribuídas. Devido à pesada atmosfera venusiana, não há crateras com menos de dois quilômetros de diâmetro. São também numerosos os vulcões e as formações vulcânicas. As rochas vulcânicas cobrem pelo menos 85% da superfície do planeta. Há mais de 100.000 pequenos vulcões na superfície, ao lado de centenas de grandes vulcões. Fluxos vulcânicos têm produzido longos canais sinuosos que se estendem por centenas de quilômetros, um dos quais atinge 7 mil quilômetros de extensão. Imagens das regiões montanhosas acima de 2,5 quilômetros, feitas pela missão Magalhães da NASA (1990-1994), são usualmente brilhantes, o que é característico de solo úmido. Entretanto, não existe água líquida na superfície para explicar esse brilho....”
mardi 19 mars 2019
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