vendredi 18 mai 2018

Ainda Sobre a imagem

No elevador um enorme espelho
Que horas engorda
Horas emagrece
Reflete uma imagem que não reconheço
Um rosto cansado
Olheiras poucas, mas presentes
Pálida, olhos quebrados
Uma gripe nada usual

Na sala o relógio sobre a mesa
Lembra outro tempo
Mas sua cor já não é a mesma

O ponteiro dos segundos
Se esforça incessantemente
Em alcançar o ponto exato
Tocar sem erros cada 5 instantes
Da vida que passa

Há semanas não reconheço aquela imagem
No espelho
Em vidas que não são minhas
Passo as horas
Não consigo lembrar
Onde estava indo
Ou como parei aqui

Parar é um verbo confuso
Meu corpo parece nunca querer
Parar
Mas o sinto estático
Estático mesmo o percebo
Nos estalos, nas dores, nos olhos distantes
“Não é sempre assim”
Respondo de dentro

Não é mesmo,
mas assim como as 12 badaladas
Isso volta.

Esta imagem no espelho que não reconheço
Me olha
Procura algo de um encantamento
Que anda escondido

Os segundos seguem tentando acertar
Espero

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