No elevador um enorme espelho
Que horas engorda
Horas emagrece
Reflete uma imagem que não reconheço
Um rosto cansado
Olheiras poucas, mas presentes
Pálida, olhos quebrados
Uma gripe nada usual
Na sala o relógio sobre a mesa
Lembra outro tempo
Mas sua cor já não é a mesma
O ponteiro dos segundos
Se esforça incessantemente
Em alcançar o ponto exato
Tocar sem erros cada 5 instantes
Da vida que passa
Há semanas não reconheço aquela imagem
No espelho
Em vidas que não são minhas
Passo as horas
Não consigo lembrar
Onde estava indo
Ou como parei aqui
Parar é um verbo confuso
Meu corpo parece nunca querer
Parar
Mas o sinto estático
Estático mesmo o percebo
Nos estalos, nas dores, nos olhos distantes
“Não é sempre assim”
Respondo de dentro
Não é mesmo,
mas assim como as 12 badaladas
Isso volta.
Esta imagem no espelho que não reconheço
Me olha
Procura algo de um encantamento
Que anda escondido
Os segundos seguem tentando acertar
Espero
vendredi 18 mai 2018
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