jeudi 22 février 2018

Estudo para a devastação depois da violência. Karina




I.



Aprendi a dançar com o vento que movia os tecidos. Observava como eles iam e vinham com a intensidade de cada sopro. Fui aprendendo a mover meu corpo com a mesma leveza ou a mesma fúria... e era tudo tão bonito. Como a humanidade foi capaz de trilhar caminhos tão devastadores? Entrar no outro a ponto de virar tudo do avesso? Não consigo mais dormir. Como vou viver sem sono, sem sonhos?  Não há o que possa reanimar este oco do meu corpo de onde começa a vida humana.  Mas ainda que seu esperma sujo tenha ficado, essa violência nunca fecundará.


II.

Aprendi a dançar com o vento que movia os tecidos. Observava como eles iam e vinham com a intensidade de cada sopro. Fui aprendendo a mover meu corpo com a mesma leveza ou a mesma fúria... e era tudo tão bonito. Como a humanidade foi capaz de trilhar caminhos tao devastadores? Entrar no outro não como uma brisa, mas como um furacão. Não consigo mais dormir, como vou viver sem sono? Meu corpo agora num mormaço enauseante, não há o que  possa reanimar este oco de onde começa a vida humana. Seu esperma me invadiu, mas a semente dessa violência nunca vai fecundar.


III.


Eu dançava como o vento que balança os tecidos, dando vida a cada sopro, com leveza ou fúria... Nunca imaginei que a voz humana fosse capaz de ser tao ensurdecedora. Entrar no outro e devastar, deixar tudo ao avesso. Eu não consigo mais dormir e como vou viver sem sono? Nada pode reanimar o oco deste corpo de onde começa a vida humana. Seu esperma me invadiu, mas a semente dessa violência nunca vai fecundar.

IV.


Aprendi a dançar com o vento que movia os tecidos. Observava como eles iam e vinham com a intensidade de cada sopro. Fui aprendendo a mover meu corpo com a mesma leveza ou a mesma fúria... e era tudo tão bonito. Agora essa Cova aberta a força. Sementes atiradas com jeito de invasão., transito no vazio. Sinto-me oca. Onde inexiste amor e a força se sobrepõe está meu corpo. Meu território  violado, e escorrendo pelas minhas pernas esse enxofre que me envenena. Sinto nojo, dor sujeira. Mas esse território é meu. O invasor não autorizado, quem pensa depor-me de mim, você, não merece pena nem de morte. Pra você, penitência de terra arrasada. Semente morta em terra fértil não vinga.

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