vendredi 10 novembre 2017

Ode vulcânica solitária à meu pai e à Alejandro.

Esse destino de implodir
Vivo a fazer pequenas ebulições
De dentro pra fora.
O outro me mareja
é extensão das minhas veias
O outro que nem sou

Vivo aninhando esses pequenos vulcões
Meu pai não sabia
Nem eu sabia
Mas estava desde muito
aprendendo a criá-los

No avesso,
explodo
um silêncio profundo
como aquele mesmo
após a explosão

Uma surdez
O absurdo é tanto
O ruído é tamanho estrondo
Que cega os ouvidos

Mas a lava escorre dentro
Fervente e fluorescente
No silêncio solitário
Dos olhos
Que não se deixam ser a janela aberta da alma

Então recordo no sonho
o que sinto ou temo
Mas eu não sei
Nem meu pai sabia
E me ensinou a ser gente
Reparar no mar
Nos grãos da terra
E na importância que tem o coração quando bate.

Tudo se mistura na lava
Melhor não dizer ao certo
Melhor não saber
Melhor não...

Ser não tem escapatória.

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