mardi 10 octobre 2017

Poço

Vivi tempo demais
Deixei escorrer pelo ralo alguns sonhos
Sem que os agarrasse
Antes, esfacelaram

Sinto ainda nos lábios o gosto
do passado recente
Um mundo inteiro pela frente
Um animal preto e branco
Corpos colados
Um sotaque engraçado...

Tudo agora é crime

Vivi muito tempo
Sem ter tempo pra desatar
os nós que deixei crescer por dentro

Hoje enxergo longe
Uma trilha com cheiros
Flores

Mas...
Vivi tanto que caduquei
Não vejo com olhos de paixão
Calejei os olhos.

Os sinais aos poucos aparecem
Os da pele
Os dos ossos
E
Nos sonhos
Foram muitos
Não os agarrei

Mas foram muitos.

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