Quando dói o estômago,
dói tudo.
Mas é muito cedo, amor
para desistir.
As águas continuam claras
as temperaturas altas
a mais profunda ignorância
talvez seja uma dádiva
um espaço em branco
uma bolha de prazer
Seus pés sambam na avenida
seus olhos percorrem os outros
um tambor desajustado
não entra em acordo
Como aquele dia em que fazia
um silêncio aqui dentro
E todos bebiam e gritavam
lá fora.
O passarinho só
em sua prisão de pássaro
me olhava e compreendia
A mim não foi dado asas
mas vez ou outra
sinto o vento
no rosto
no corpo
na pele
e é quase como se estivesse voando.
O que mesmo viemos fazer aqui?
Ela me pergunta olhando nos olhos
Pensei ter certeza,
durou alguns segundos e
já não me lembro mais.
Deve haver muita gente lá fora
mas tudo está tão
solitariamente silencioso
que já nem me lembro que é verão.
vendredi 27 janvier 2017
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