Por debaixo dos pés,
por debaixo das águas,
por debaixo de nós.
Eram criaturas de Deus
são.
Paridas de um ventre de muito sangue
e amor
Paridas de um ventre coberto por panos e pudor
Sao criaturas
Cujas mãos não alcançam o palmo
da maldade do mundo
ainda.
Antes que sejam mordidas
pelas presas raivosas do horror
Seu corpo pequeno de criatura encontrado nas areias
Silenciosas areias da praia desconhecida
Que não é pátria, mas podia ser lar
Que não chegou a acariciar seu pequeno coração de criatura
Que não aguentou a devastação da fuga.
De dentro, do profundo das águas
a mãe nua , aos prantos, urrava. Ele nos braços.
Pietá das águas salgadas.
Ê nijé nilé lodô. Yemanjá ô. Acota pê lê dê.
Carrega seus sonhos de menino.
Desfaz essas lágrimas em sal e água.
Lá dentro, mais no centro, por debaixo da água,
a loba solitária
corre em seu coração de mata
Para desafogar a pequena criatura
Dos olhos do fim
Dos olhos do terror.
Há de haver paraíso, só pode haver paraíso para essas criaturas de Deus.
jeudi 25 août 2016
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