Sei que éramos três e sempre preferi números ímpares aos pares,
Nos entreolhamos na esquina do amor.
Quando os olhos se adentram fundo, tao fundo que é possível contar
as batidas do coração
E ver de cada uma delas brotar uma flor,
Temos um campo inteiro.
Ela colocou a mão esquerda sobre o peito direito.
Olhou para a outra.
Eu olhei para ambas e para o mar.
Tirei sua mão do silêncio e levei ao peito esquerdo.
Nossos pés, femininos, eram diferentes, o de uma era pequeno
O da outra comprido, o meu, feio.
Nossos pés se tocaram e fizeram carinho.
Foram até o céu e abriram-se em estrela do mar
Fundo.
Fundo.
Fundo até esvaziar os pensamentos
Ou até encontrarem águas vivas.
Delas, ver a água dançar em furta-cor
Ser queimado pela presença bela de sua dança.
Eu nunca fui queimada por uma água-viva.
Ela já.
"Pra te queimar, ela te enlaça
E você não consegue se desvencilhar dela."
E as três começaram a brotar memórias quentes.
A presença que queima.
Sao tao lindas que
não as se pode tocar.
Chuva. Junho. Sao Joao. Dança.
- Eu tenho muita dificuldade, sabia.
- De que?
-Dançar a dois.
- Por que?
- É muito perto, é muito perto da outra pessoa. Eu não consigo.
- Você é tímida.
-Será?
Multidão. Solidão. Silêncio. Falatório. Presença. Ausência.
Era quase hora de uma tomar remédio. Homeopático, ela diz.
Era isso ou um abraço. Por que o remédio? É mais barato.
Faltam 2 minutos. Se ela tivesse um abraço, passaria.
Uma não abraçou, eu também não.
Ela vinha com o papel nos lábios, em minha direção, de súbito.
Beijei o papel, mas não queria. Então corri. Fugi.
Quando cai no chão, acaba a brincadeira, eu disse pra outra.
E mais tarde, a primeira veio de novo, muito forte, muito rápido,
o papel em meus lábios, mas não.
Eu tirei sua mão esquerda do peito e acendi uma voz
Que cantava sobre os pássaros e nós não conhecíamos a música,
Mas cantamos juntas, ainda assim.
lundi 4 juillet 2016
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