Chão de areia quente sob os pés de argila.
seria teu todo o sonhar.
Sorriu pra mim ao longe,
pensamento longe.
Era alto, sorriso claro,
olhar apertado.
Queria não estar neste lugar,
Quantas mulheres cabem em um porao,
quanto amor em um alçapão.
Quisera arrancar o teu,
pra ver se bate aqui fora,
quando o ar nao é filtrado
e o sangue nao jorra.
Derrama nesse frasco uma lágrima,
veste a ti de luto,
eu busco uma folha sagrada
te dou descanso.
Descanso.
Expulso todas
e o coraçao volta a ser terra fértil,
onde irá brotar um.
Ramo comprido verde,
as folhas se espalham,
emaranhando-se ao redor
de tudo,
para deixar tudo
mais verde-vivo.
Há 10 dias gesso ,
sua boca,
branco,
gelado,
teso.
11 dias, rasguei com a faca da verdade minha língua,
a despejei bandeja de prata,
não,
bandeja de arame farpado ,
agora eu nua língua rasgada
não despejo sossegada em bandeja alguma.
Farpado sim,
como os olhos dela de carne sobre mim.
Te lamento,
como quem lamenta a si
Nao há mais espaço para engodo.
Já disse adeus.
cumprimentei os convidados todos,
os habitantes bobos de mim.
Ele nao.
intruso fez casa em mim,
agora se demora a ir
cava fundo em minhas veias.
A gota escorre no dorso
expiração lenta,
cabe o mundo nesse suspiro
nós ao menos.
Exala-te-de-mim ou me tem para sempre.
Os cavalos lá fora aguardam as moças.
Para que nao haja destino trágico.
Vão para mata,
para muito adeus,
longe de mim.
Inspirei-te de novo,
ontem
após dias no frasco.
Ausência insone,
sonho-te,
agarro-te,
quero-te.
Antes que já não seja tempo,
agora. agora, agora.
Chão de areia quente sob pés de barro.
Caminho para onde haja água.
lundi 2 mars 2015
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