mardi 3 février 2015

Bilhete ao silencio

Sigo com esses olhos marejando ao encontro das palavras que me desvendem algo de teu paradeiro. Em minhas andanças quietas, percorro  alguns tons de azul, outros alaranjados, chego a um vermelho febril e essas cores só vem  contornar minhas perguntas irrespondíveis sobre ti. Te desenhei menino em minha memória, minhas lembranças te contornando: as mãos doces,  o olhar vago, um peito cintilante, discreto e macio.
Em muitas vezes que calei, estive inteiramente entregue aos teus braços. Quis ser nuvem leve em teu colo, despir-me pros teus olhos, beijar-te tanto e chegar muito perto para que fosses meu.
Amanhecia e me dizias adeus, te perdia a cada cantar de galo em que fora tua na madrugada... foste sempre uma despedida... e hoje ainda, longe e recluso, te despedes.
Dessa  vez eu te deixei. Vagarosamente ergui meu braço e acenei ao longe, minha mao, tao tua, para dar-te outra vez adeus...

E tudo isto, eu invento, para fazer-te existir em mim e ser essa lembrança de amor. Do que poderia ter sido, do que fomos quando pele contra pele, teu suor escorrendo sobre a minha, meus dedos te tocando a face, e eu silenciosamente te amando....

Aucun commentaire: