Sigo com esses olhos marejando ao encontro das palavras que me desvendem algo de teu paradeiro. Em minhas andanças quietas, percorro alguns tons de azul, outros alaranjados, chego a um vermelho febril e essas cores só vem contornar minhas perguntas irrespondíveis sobre ti. Te desenhei menino em minha memória, minhas lembranças te contornando: as mãos doces, o olhar vago, um peito cintilante, discreto e macio.
Em muitas vezes que calei, estive inteiramente entregue aos teus braços. Quis ser nuvem leve em teu colo, despir-me pros teus olhos, beijar-te tanto e chegar muito perto para que fosses meu.
Amanhecia e me dizias adeus, te perdia a cada cantar de galo em que fora tua na madrugada... foste sempre uma despedida... e hoje ainda, longe e recluso, te despedes.
Dessa vez eu te deixei. Vagarosamente ergui meu braço e acenei ao longe, minha mao, tao tua, para dar-te outra vez adeus...
E tudo isto, eu invento, para fazer-te existir em mim e ser essa lembrança de amor. Do que poderia ter sido, do que fomos quando pele contra pele, teu suor escorrendo sobre a minha, meus dedos te tocando a face, e eu silenciosamente te amando....
mardi 3 février 2015
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