Desacostumando da sombra
o sol faz espremer os olhos
castigando as vistas
Cegar ou ver demais?
Nos perguntamos
no domingo à noite
Enquanto os anos,
escritos mais na carne
e na retina
que nos versos
seguem desenhando
seus rumos.
E já não temos mais 16 anos
nossos olhares de desinocentes
nos revelam
no sadismo dela
em sua fragilidade
em meu desassossego.
Logo ali no dorso
do pé esquerdo
a marca daquele dia
em que abrimos mão
do nosso mundo,
o que já não nos cabia.
E antes dessa,
através dela e depois
outras marcas
de quedas, arranhões,
lágrimas, amores,
perdões, culpas, desastres.
Ainda outras tantas virão...
Ver-te aqui ao meu lado
se perguntando sobre
tudo.
Lembrar-te no banco
do metrô na madrugada fria
Ter-te perto
Em toda difícil doçura
forte delicadeza.
É saber ainda um pouco mais
de mim
De quem fui
fomos.
já tendo quase saudade
desse instante que se esvai
enquanto rememoramos
essa eterna reconstrução
de nós...
E sim,
que nãos nos esqueçamos
nunca
Que se por acaso
nos perdermos
a gente se procura.
Mas a gente se procura
muito.
lundi 7 avril 2014
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