I
O encontro
Cheiro de pele fresca, doce pele a sua. O cabelo molhado, os cachos que me beijam junto com a boca, umedecendo meu rosto. Seu nome é fruta madura em meus lábios. A voz tranquila, meio menino, meio distante, mais distante. As mãos são veludo, mas de temperatura boa, água morna em dia de chuva. As mãos tão perto, que não faz sentido a voz longe. Despido-me para sentir meu peito tocar você. Carne macia, identifico sua altura, a textura de seu peito contra o meu, nossas diferenças. Elas estão, principalmente aqui, na textura/ matéria/disposição/conteúdo de nossos peitos...
II
A lonjura
Tenho só lembrança sua. Algumas delas. Umas se confundem com sonhos antigos, outras, com histórias que inventei, outras ainda são não-lembranças ou lembranças de uma ausência.
A pele que me contorna, que ficou tão perto, tão dentro, é também estranha e inóspita. Às vezes, não reconhecia suas notas, seus timbres, que são muitos. Eram estranhos os passos na dança, não houve dança. A dos quadris sim, a dos órgãos, não. Houve silêncio. O silêncio das montanhas. O silêncio me fez desconhecer você. Meu silêncio nasceu da distância de sua pele na água gelada, do não afago na beira da água, da terra perdida que nos levou à água escura. Quase tudo em você é desconhecido...não-presença? Não-querer? A pele era tão doce junto à minha, mas as noites perto eram tão longe. O silêncio da mata juntou-se ao som da água... Não, nada é certo...e os silêncios podem ser só a espera, pelo amor que não vem.
jeudi 8 août 2013
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