e os pés continuaram fincados ao chão.
Triste prisão,
a dos próprios pés à terra.
À terra alguma,
à terra do medo,
do medo sem fim.
Quando acaba, acaba tudo.
Os sonhos
viraram areia molhada
na ampulheta do tempo,
que de úmida não se move mais.
Triste fim a do não desejar,
não ser,
não provar.
Tudo passa
e volta.
Volta em cada gole travado
do "por que",
do não feito,
não vivido.
Os fantasmas rondando o corpo,
rondando a voz,
rondando um vida cômoda.
Os olhos marejados em cada metrô vazio,
o anonimato é a dádiva
do poder sentir,
porque não se deve,
não se teme.
Mentira,
tudo é temido,
todos são temidos,
tudo é covardia e desespero,
tudo.
O nó,
esse engasgo,
a mágoa,
o fim que nunca fecha
a porta do buraco negro.
Não é pra se entender,
não preciso dessa compreensão.
Preciso largar essa terra suja,
essa areia molhada,
preciso correr,
gritar,
desfazer esse nó.
Antes que o medo seja tudo o que resta,
se já não o é.
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