Em um instante tive certeza de estar em outro lugar, ser outro o mundo, as condições, ser outra.
Outros segundos, a mesma, a dúvida, as portas sujas, o labirinto de portas fechadas prontas a serem abertas à lugar nenhum.
Qual é a porta que se escolhe para chegar ao lugar certo, e o que é esta tal certeza, que parece nunca me ceder lugar.
Outra noite, o corpo ardia em suor, já nua, e nada restava além da pele, que me dizia algo que não sei ler. A temperatura baixa lá fora, escondendo, por baixo de tanta lã, corações machucados, estragados, apodrecidos e por vezes maltratados.
De onde a gente vem e qual é o objetivo, para que responder a tantas perguntas, se em nenhuma delas há paz, nenhuma delas tranquiliza, apazigua, sossega esse monstro. Onde está. Escondido em que porta, atrás de que armário e como matá-lo?
Entre tantos anos que se passaram, os medos ainda tão os mesmos, as fraquezas que não mudam. "porque você gosta de confusão, você vai ser sempre assim". Ele me disse e eu quis que ele morresse. Eu quis morrer, ao invés, eu quis só ser menos que isso, quis só simplificar, quis acreditar, quis que fosse diferente.
E eu amei, corri, desesperei, encontrei, perdi. Guiei o barco e parei em lugar algum, nem o mar encontrei, nem soube por onde ir... mas se escolher a porta errada, pode voltar, "vem, você pegou o caminho errado". E ainda atordoada, pude voltar. Mas qual o caminho que se traça quando a cada passada é preciso recomeçar.
Esse colchão é péssimo, e desconforto parece ser uma constante em fim.
Preciso do mar.
1 commentaire:
eu gosto do seu blog, da forma como trata as palavras, com delicadeza e pureza. Parabéns!
/ingridy vilarim - Paraíba
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