lundi 11 janvier 2010

Instantes

De repente me deparei com o agora.
O momento exato em que tudo acontece.
Um clarão forte com cheiro de manhã,
sendo também madrugada.

Quando a mão tocou,
O olhar parou,
O coração gelou
As pernas tremeram
Cederam,
Correram.

O cruzar do outro,
O gosto que chega na língua,
E não se desfaz em verbo.

As bolas de sabão caindo do céu,
Meu doce mar de saudade,
Um algo que desponta dentro,
Mas não cabe em metro quadrado.

O instante do ato,
Que nem precisa ser de fato
Momento vivido,
Sendo talvez inventado
Mas vindo desse contato
Do mundo se imprimindo em mim.

Como forte ou fraco
Com contornos espessos e bem marcados,
Quando exploro o fundo
E me dou a sentir
Esse espasmo sem o quê, nem caso,
Que me espalha em
Traços,
Figuras,
Passos
Dando formato
A essa multidão que há em mim.

3 commentaires:

Caio a dit…

fragmentos de um bom instante.

LUDMILA BARBOSA a dit…

Absolutamente maravilhoso

Emmanuel Mirdad a dit…

Uma vez escrevi o poema 'Superlotação':

"
ela sonha em ser comum
mas lá dentro há centenas
com problemas suficientes
"

A série Pílulas retorna em 2010. Confira no blog o trampo do Thiago Kalu.