mercredi 4 février 2009

Existem gotas de vida em qualquer parte do mundo.

Um vendedor de colares foi em direção a duas meninas na praia,
Ele baiano, elas também.

Ele ritmo suave, tranquilidade,
barganha sem pressa,
simpatia na voz,
sorriso devagar,

Elas desconfiadas, apressadas,
não carregavam sentido na fala,
duas cabeças em outros lugares,
perdiam o tempo (sempre) sem perceber
e não perdiam tempo com a vida.

Ele na mansidão mostrou um, dois, três cores...

Não sei as cores dos orixás,
mas esse aqui tá bonito.
Já fui em mãe de santo,
mas não sou assim de candomblé não.
Eu fico sempre por aqui, faço uns trabalhos.

Esses daqui eu fiz alguns, tem uns que vem pronto também,
Esse aí ficou lindo em você.
Eu gosto de fazer amizade, sabe?
Tem gente aí que explora,
vê que o pessoal é de fora...
mas eu não, eu gosto da conversa.
Gosto de parar aqui e trocar uma ideia com vocês.


Mais cumprido? São todos do mesmo tamanho.
É que as vezes fica um pouquinho maior que o outro,
mas é tudo igualzinho.

Sou daqui mesmo,
todo mundo me chama de Timba.
É porque no Carnaval eu pinto a galera de timbalada.
quando vocês passarem e me virem,
pode falar "e aí, Timba", eu vou lembrar de vocês: "ah, as duas meninas da praia."
Todo mundo aqui fala comigo, eu gosto.


Elas nem sabiam mais o que era mesmo,
ele vendia colares e elas não queriam comprar colares
Ele distribuía palavras tranquilas,
Tinha um gosto doce na voz,
Parava o mundo quando falava.

Elas levaram os colares,
levaram sorrisos,
levaram um pedaço de vida se fazendo.

A cor do santo não se sabe.
Cada uma ganhou uma fita e três pedidos.
Pedidos de coração, de ritmo manso,
de quem pinta as pessoas no Carnaval.

E uma sensação de que a vida se esconde nos parênteses.

3 commentaires:

Anonyme a dit…

Muitooo bom Fernandinha!
Chega posso vê-lo!
Beijocas
Miloca

Ana Cecília a dit…

lindo, Fernanda.
Um beijo,
Ana

Rafael Violão a dit…

Muito baiano mesmo!
Gostei!
bjo
Rafael