O cenário não havia laterais, nem teto, nem cochia, malmente um chão em pedregulhos.
Ela vinha de lá, do outro lado, o vestido voando, quase abandonando o corpo, a respiração ofegante, uma velocidade tão grande dentro que o lado de fora quase não conseguia acompanhar.
Corria muito e corria há tempos, quando, enfim, encontrou um obstáculo maior que ela própria, do qual não pôde fugir.
Freiou os passos quase se esbarrando nele. Percebeu o espelho enorme em frente a si e, entre inspirações fulminantes, disse-lhe:
- Tem um vazio em mim, em algum lugar aqui por dentro, que eu não consigo encher, que não me abandona nem se revela... E o pior de tudo, já constatei que não é fome.
O espelho continuou ali, imóvel, e nele o ar de desespero, o suor escorrendo no rosto, o peito pulsando agressivamente, a saliva sem molhar, os olhos molhados, o vestido desmantelado, a ausência.
O tempo parou, o mundo findou e o vazio continuou dentro.
mardi 8 mai 2007
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2 commentaires:
puta-que-patiu!
demais...
isso...
Dita... sinto cada nuance dessas letrinhas...
"lindo post"
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