lundi 8 mai 2006

Só se for assim

Caminhando sem jeito,
meio devagar,
na contra-mão do mundo
e o mundo tem tantas contra-mãos,
talvez ele acabe parando no sentido correto.

Vai num passo certo,
outro troncho,
um no preto outro no branco,
assim calado e sem dono,
morrendo de saber
que sempre pertence a algo
[ou à alguém]
mas sem nunca admitir o pertencimento.

Cambaleando entre a perda
de sentido
e a dúvida,
existindo sem sentir [e]
duvidando até de ser.

Ele anda,
calçada desigual,
sapatos antigos,
pés esquecidos,
a velha dor de cabeça.

Ele vai,
quieto e fosco,
as vezes um cigarro amassado,
um suspiro cansado...
a mesma falta de sempre
as mesmas lembranças de sempre
o mesmo silêncio e o sempre.

1 commentaire:

Anonyme a dit…

Essa dá pra virar uma música.. uma linda música..


=**